Os índios paiteres-suruís são um grupo nômade, com aldeias em Mato Grosso e Rondônia. Escolarizados, os mais jovens e os líderes da comunidade aprendem a falar e escrever em português. Mas, entre si, continuam se comunicando na língua de seus antepassados, o paiter. Como na maioria dos povos indígenas, não havia até 2006, entre essa etnia, escrita que representasse o que se fala. A história e a cultura do povo eram transmitidas apenas oralmente. Porém, com a mobilização da comunidade, de associações indígenas, de especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), o paiter ganhou um alfabeto e regras gramaticais. Nasceu uma língua. Um dos palcos desse processo foi uma sala de aula. Seu protagonista, um professor indígena.Formado em Magistério Indígena em 2006, Joaton fez de sua prática em sala de aula uma bandeira para reverter esse quadro. Disseminando a escrita dos paiteres em suas aulas de Identidade, Língua Materna e Artes colaborou para manter viva uma língua que, para os 1,2 mil das 27 aldeias da etnia, possui uma função social indiscutível. "É por meio do paiter que ensinamos crianças a fazer nosso artesanato e nossa comida, como caçamos e pescamos, como cultivamos as roças e quais são nossos mitos e ritos", diz o professor. Para os avaliadores do Prêmio Victor Civita de 2008, o projeto demonstrou sintonia com a tese defendida por antropólogos e linguistas de que a Educação Indígena deve ser plurilíngue e intercultural.
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/fundamentos/nasce-lingua-432059.shtml
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